Geografia - Prof Edson
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Como apresentar o Trabalho
Atenção: Toda a parte escrita do trabalho deverá ser feita a mão, sem digitação em computador
De acordo com o que foi pedido pelo professor e tendo sempre em conta os objectivos do trabalho, aqui ficam possibilidades de criação de interessantes produtos finais:
Um jornal ou telejornal
Uma canção
Um filme de animação
Um debate
Um diário
Uma dramatização
Uma maqueta ou um cenário
Uma reportagem
Uma exposição
Uma peça de teatro
Um documentário
Um guia de exploração
Uma carta
Uma experiência
Um relatório
Uma entrevista
Uma biografia ou fotobiografia
Uma colagem
Uma apresentação multimédia
Uma conferência
Uma antologia
Um blogue
Um portfólio
Uma crítica
Uma página web
Um café-literário
Uma revista de imprensa
Uma recepção a um convidado
Uma adaptação de conto
De acordo com o que foi pedido pelo professor e tendo sempre em conta os objectivos do trabalho, aqui ficam possibilidades de criação de interessantes produtos finais:
Um jornal ou telejornal
Uma canção
Um filme de animação
Um debate
Um diário
Uma dramatização
Uma maqueta ou um cenário
Uma reportagem
Uma exposição
Uma peça de teatro
Um documentário
Um guia de exploração
Uma carta
Uma experiência
Um relatório
Uma entrevista
Uma biografia ou fotobiografia
Uma colagem
Uma apresentação multimédia
Uma conferência
Uma antologia
Um blogue
Um portfólio
Uma crítica
Uma página web
Um café-literário
Uma revista de imprensa
Uma recepção a um convidado
Uma adaptação de conto
A segregação socioespacial e a exclusão social
Este último tema do 4º. bimestre enfatiza as condições precárias de moradia (favelas, cortiços e loteamentos irregulares) e as transformações expressivas na organização do espaço urbano ocasionadas pela proliferação dos condomínios fechados e de moradias de alto luxo em determinadas áreas habitadas por pessoas com alto poder aquisitivo, principalmente nas cidades médias e grandes brasileiras.
A definição e a medição da pobreza e da exclusão social são difíceis de quantificar. Isso porque elas são situações que apresentam múltiplas dimensões e variações de acordo com a metodologia dos diferentes estudos, como também segundo as condições da economia, de fatores culturais e das diversidades regionais. Na prática, a pobreza é associada à insuficiência de renda. Ou seja, quando a soma dos rendimentos de um indivíduo ou família não permite a satisfação de suas necessidades básicas (alimentação, transporte, moradia, saúde e educação), costuma-se utilizar o termo pobre.
Quanto à exclusão social, além da renda, emprega-se a expressão de maneira mais ampla ou multidimensional, pois também abrange restrições à mobilidade social (intra e intergerações) resultantes de condições como gênero, tipo de ocupação, condição socioeconômica, além de fatores culturais, institucionais e políticos. De maneira complementar, vale chamar a atenção para o fato de que a exclusão social também pode ser vista sob outro enfoque, como um conceito associado à ideia de "vulnerabilidade social", referindo-se, nesse caso, à marginalização de determinados segmentos sociais (em geral, pobres com baixa escolaridade, negros e mulheres) em relação aos benefícios gerados pelo desenvolvimento. Em qualquer dos casos, o fato é que a exclusão social está intrinsecamente associada à noção de mobilidade social.
O “Diagrama de construção do índice de exclusão social”, na página 29 do caderno do aluno, sintetiza parte da metodologia de estudo que possibilitou a elaboração dos dois mapas “Brasil: índice de pobreza” e “Brasil: índice de exclusão social” nas páginas 27 e 28, como também de outros presentes na publicação do Atlas da exclusão social no Brasil (2003).
Os indicadores sociais são as estatísticas da realidade social do país, em saúde e saneamento básico, educação, trabalho e rendimento, domicílios, famílias, grupos populacionais e trabalho de crianças e adolescentes, entre outros aspectos. São utilizados para orientar políticas públicas e avaliar sua eficácia no tempo e o principal órgão de apuração de indicadores sociais no país é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), embora outros também sejam obtidos pelos ministérios e instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais.
A charge de Angeli (página 30 do caderno do aluno) ilustra uma situação diária: a situação de favelas, cortiços e loteamentos irregulares em contraste com o crescimento dos condomínios "fechados" ou exclusivos nas cidades médias e grandes brasileiras e o isolamento das populações de alta renda. Moradias irregulares, o papel dos movimentos sociais e de associações de moradores na luta por maiores investimentos públicos em infraestrutura urbana, condomínios fechados, tanto verticais como horizontais, a questão da expansão/retração do chamado "direito à cidade" possibilitam discutir se esse modelo colabora ou não para a construção de uma sociabilidade urbana mais democrática.
Teresa Pires do Rio Caldeira, autora de vários trabalhos, um dos mais interessantes é o “Cidades de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo”, apresenta uma definição interessante a respeito dos condomínios “fechados”, designando-os como “enclaves fortificados”, ou seja, espaços privatizados, fechados e monitorados para residência, consumo, lazer ou trabalho. Nas últimas décadas, a proliferação dos “enclaves fortificados” vem criando um novo modelo de segregação espacial e transformando a qualidade da vida pública não somente no Brasil como também em muitas cidades ao redor do mundo. Esses locais reproduzem uma cultura segregacionista e excludente das elites econômicas em relação a outros grupos sociais menos abastados (principalmente motivada pelos altos índices de violência urbana). As consequências desse processo para a cidade e para o território urbano é a fragmentação, reproduzindo no plano espacial a desigualdade social existente. Ainda de acordo com Teresa Pires do Rio Caldeira, no início do século XX, na cidade de São Paulo, os diferentes grupos sociais viviam bem próximos uns dos outros, embora em arranjos residenciais radicalmente distintos: os ricos, em casas espaçosas, os pobres, amontoados nos cortiços.
No período que se estende da década de 1940 à de 1980, a cidade passou a ser organizada pela divisão entre centro e periferia: os ricos habitavam os bairros centrais (dotados com infraestrutura necessária), e os pobres habitavam as áreas periféricas (extremamente carentes de infraestrutura e equipamentos urbanos coletivos). Nos últimos anos, o padrão de organização espacial foi novamente modificado. Em um processo que ganhou corpo na década de 1980 e se intensificou na de 1990, as distâncias físicas entre ricos e pobres diminuíram, apesar de terem se tornado mais visíveis e complexos os mecanismos de separação entre eles. Hoje, existem dificuldades para continuarmos adotando o modelo centro/periferia, pois não é incomum verificarmos casos em que as classes mais abastadas passaram a morar nas periferias das cidades, em condomínios horizontais dotados de áreas verdes e fortes esquemas de segurança interna, como meio de se afastar do centro da cidade e de todos os "inconvenientes" que a vida em sociedade traz para o cotidiano. Esses aspectos contraditórios acarretam na questão do direito à cidade.
Questões
Questões
Professor Edson/Geografia
1. Campinas fica longe do Campo Belo, apesar da região
citada estar dentro do município campineiro. Descreva o bairro e diga quais a
dificuldades e, caso haja, pontos positivos que envolvem tal distância?
2. Vinhedo é uma cidade de condomínios e bairros periféricos.
Descreva como é seu bairro em relação a regiões de condomínios.
3. O que dificulta o “direito a cidade” de que fala a autora
do texto, Teresa Pires do Rio Caldeira?
4. De acordo com Teresa Pires do Rio Caldeira, como se dão
os arranjos sociais atualmente?
5. O que são enclaves fortificados e por que contribuem para
segregação do uso do espaço público?
6. O que são indicadores sociais, que tipo de estatísticas
aborda e para quais objetivos são utilizadas?
7. Quando acontece a vulnerabilidade social e em quais
condições?
8. Quais os fatores que determinam a exclusão social?
9. Quando se usa o termo pobre, quais são os fatores que
determinam tal condição social, levando-se em conta a renda?
10. Por que é difícil dimensionar a pobreza e a exclusão
social no Brasil?
11. A segregação social e espacial é proposital em sua
opinião?
O trabalho e o mercado de trabalho
Abordaremos nesse tema, os conceitos fundamentais para o entendimento da distribuição da População Economicamente Ativa (PEA) do Brasil segundo os setores de produção (primário, secundário e terciário), ressaltando suas transformações ao longo do processo de urbanização do país.
Quais os papéis desempenhados pelas mulheres na sociedade brasileira? Vocês consideram que, as mulheres donas de casa, não trabalham? É cada vez maior o número de brasileiras que também trabalha fora de casa, aumentando o orçamento familiar ou sendo elas mesmas chefes de suas famílias. Muitas mulheres enfrentam duas jornadas de trabalho, uma fora de casa, e outra quando retornam ao lar e se dedicam aos afazeres domésticos. De acordo com o IBGE, ao longo da última década observa-se a manutenção da tendência de aumento na proporção de famílias chefiadas por mulheres, que passou de 24,9% (1997) a 33,0% (2007), o que representa, de acordo com os dados da Pesquisa nacional por amostra de domicílios - Pnad 2007, 19,5 milhões de famílias que identificam uma mulher como sua principal responsável.
Os gráficos “Brasil: contribuição do rendimento das mulheres na renda das famílias” e “Brasil: número de famílias formadas por casas com filhos chefiadas por mulheres” na página 23 do caderno do aluno revelam o aumento de domicílios chefiados por mulheres, o que as torna protagonistas nos últimos anos de uma grande mudança em curso no mercado de trabalho brasileiro. Veja alguns dados adicionais do IBGE, extraídos da Pnad 2007:
- a proporção de arranjos do tipo casal com e sem filhos chefiados por mulher passou de 4,2 % em 1992 para 23,5% em 2007;
- aumentou muito a contribuição das mulheres na renda das famílias brasileiras: de 1992 para 2007 passou de 30,1% para 39,8%;
- ocorreu um aumento expressivo da proporção de mulheres cônjuges que contribuem para a renda das suas famílias: de 32,5% para 65,7% no mesmo período;
- e, para finalizar, se em 1993 a mulher era a principal provedora em 22,3% dos domicílios brasileiros, em 2007 a proporção comparável foi de 33%.
População Economicamente Ativa (PEA) é o estudo setorial da economia, uma categoria fundamental para a análise econômica ou para investigação das estruturas econômicas de um país. Denomina o conjunto da população em idade produtiva (10 a 65 anos) e que trabalha em atividades remuneradas, tanto as pessoas ocupadas (com trabalho) como as desocupadas (sem trabalho, mas que tomam alguma providência efetiva no sentido de procurar trabalho).
População não economicamente ativa designa o conjunto das pessoas que não trabalham fora do lar, como crianças, estudantes, donas de casa, aposentados, pessoas impossibilitadas de trabalhar por motivo de doença etc., incluindo as que não estão empenhadas na busca de emprego.
Os setores econômicos ou setores de produção são divididos em três setores:
- setor primário: inclui a agricultura, a pecuária, a caça, a pesca e as explorações florestais;
- setor secundário: abrange a atividade industrial, incluindo as indústrias de transformação de bens de consumo e de produção e a de construção civil, e a extração mineral;
- setor terciário: agrupa as atividades relacionadas à prestação de serviços (bancos, transporte, saúde, educação, profissões liberais, funcionalismo público etc.) e ao comércio.
A importância de estudar a distribuição da PEA de um país, segundo suas atividades econômicas ou setores de produção, entre outras razões, possibilita fornecer elementos ou um quadro de referência para a avaliação da economia do país e de suas tendências, além de proporcionar uma visão sobre suas transformações no decorrer do tempo, o que é relevante para efeito de planejamento econômico e social.
Observe o gráfico “Brasil: distribuição da PEA por setores de produção” na página 24 do caderno do aluno:
- o declínio da PEA no setor primário: de 70,2% em 1940 (quando o Brasil era um país predominantemente rural) para 20,6% em 2005. Entre outros fatores explicativos desse declínio e do aumento da população economicamente ativa nos setores secundário e terciário estão a industrialização, a urbanização, a permanência de uma estrutura fundiária concentrada, o difícil acesso à terra, a mecanização e a modernização da agricultura, entre outros. A diminuição relativa da força de trabalho empregada na agropecuária processou-se vigorosamente, acelerando-se nas décadas de 1960 e 1970. Tal processo liberou trabalhadores para a economia urbana, fornecendo mão de obra barata em grande escala, porém pouco qualificada, para construção civil, indústria, comércio e serviços. Em uma visão mais ampla desse processo, o modelo econômico do país estava apoiado no rebaixamento dos salários e na maximização dos lucros, respaldado pela massa de migrantes rurais gerada no setor primário;
- a partir de 1980 verificou-se uma queda do percentual de pessoas empregadas no setor secundário de produção, por racionalização do trabalho (incluída a automação industrial), levando à dispensa de mão de obra. Se no período de maior crescimento industrial do final da década de 1970 até 1980, as atividades manufatureiras e da construção civil absorviam de forma mais significativa a mão de obra liberada pelas atividades rurais (como apontado anteriormente), em toda a década de 1980 o aumento de trabalhadores no setor de serviços esteve consideravelmente acima do verificado no setor manufatureiro. Em outras palavras, a partir do período indicado, a produção de riquezas pela economia industrial cresceu em ritmo mais acelerado do que a geração de empregos, o que determinou um crescimento restringido da mão de obra ligada às indústrias. Esse cenário não foi revertido na década de 1990 e nos anos 2000, período no qual a modernização do parque industrial, associada ao impacto da globalização sobre a economia nacional, condicionou uma significativa redução da população empregada no setor secundário. A globalização e a abertura do mercado nacional às exportações estrangeiras provocaram o aumento da concorrência interna, com a presença de produtos mais baratos e/ou de melhor qualidade. Alguns setores industriais foram obrigados a se modernizar enquanto outros sucumbiram à concorrência, provocando a diminuição dos postos de trabalho e a migração de trabalhadores para o setor terciário;
- em relação ao setor terciário, percebam que, em 1990, ele já absorvia mais da metade da mão de obra brasileira: de um lado, o aumento de pessoal em ocupações mais modernas, como as derivadas da introdução de novas tecnologias, responsáveis pelo surgimento de novas profissões e de novas formas de gerenciamento e administração como setores de franchising, turismo, call centers etc.; por outro lado, houve também um crescimento em serviços menos especializados em relação à exigência de conhecimentos tecnológicos e com menor relação capital/trabalho. Para alguns economistas, as mudanças ocorridas após a introdução de meios informacionais na produção e de novas formas de administração causaram uma subdivisão no interior do próprio terciário, fazendo surgir um terciário superior e outro, inferior. Os serviços e o comércio do terciário superior representam a absorção da mão de obra em setores ligados às novas tecnologias e formas modernas de administração do comércio e dos serviços, como setor de franchising; telefonia celular; serviços de suporte à informática; call centers; serviços de entrega em domicílio, serviços especializados, turismo etc.
A reestruturação industrial causou demissões significativas em setores industriais tradicionais, o que fez crescer a economia informal de baixa renda em atividades representadas pelo comércio ambulante; vigilância; serviços de jardinagem; "flanelinhas"; valetes (estacionamentos em eventos) etc. Em função dessas alterações no perfil do setor terciário, ele absorveu trabalhadores a taxas anuais superiores às observadas nos demais setores, o que significa que os postos de trabalho gerados se revestiram de baixa remuneração e qualidade.
A transferência da PEA da indústria para o setor terciário consiste em um fenômeno mais evidente nas metrópoles, onde se concentravam as aglomerações industriais tradicionais. De modo geral, vem ocorrendo um intenso processo de terciarização das atividades no mundo "subdesenvolvido", inclusive nas metrópoles e cidades médias brasileiras. Esse fato deve ser entendido não como resultado da industrialização, e sim de problemas existentes em suas economias. Não havendo empregos suficientes, ocorre uma hipertrofia do setor terciário, ou seja, o setor cresce desmedidamente, gerando uma economia informal no terciário inferior, representado por atividades de baixa remuneração, tais como vendedor ambulante, camelô, guardador de carro, vendedor nos semáforos etc. Esses são exemplos típicos da situação de desemprego e subemprego.
Quais os papéis desempenhados pelas mulheres na sociedade brasileira? Vocês consideram que, as mulheres donas de casa, não trabalham? É cada vez maior o número de brasileiras que também trabalha fora de casa, aumentando o orçamento familiar ou sendo elas mesmas chefes de suas famílias. Muitas mulheres enfrentam duas jornadas de trabalho, uma fora de casa, e outra quando retornam ao lar e se dedicam aos afazeres domésticos. De acordo com o IBGE, ao longo da última década observa-se a manutenção da tendência de aumento na proporção de famílias chefiadas por mulheres, que passou de 24,9% (1997) a 33,0% (2007), o que representa, de acordo com os dados da Pesquisa nacional por amostra de domicílios - Pnad 2007, 19,5 milhões de famílias que identificam uma mulher como sua principal responsável.
Os gráficos “Brasil: contribuição do rendimento das mulheres na renda das famílias” e “Brasil: número de famílias formadas por casas com filhos chefiadas por mulheres” na página 23 do caderno do aluno revelam o aumento de domicílios chefiados por mulheres, o que as torna protagonistas nos últimos anos de uma grande mudança em curso no mercado de trabalho brasileiro. Veja alguns dados adicionais do IBGE, extraídos da Pnad 2007:
- a proporção de arranjos do tipo casal com e sem filhos chefiados por mulher passou de 4,2 % em 1992 para 23,5% em 2007;
- aumentou muito a contribuição das mulheres na renda das famílias brasileiras: de 1992 para 2007 passou de 30,1% para 39,8%;
- ocorreu um aumento expressivo da proporção de mulheres cônjuges que contribuem para a renda das suas famílias: de 32,5% para 65,7% no mesmo período;
- e, para finalizar, se em 1993 a mulher era a principal provedora em 22,3% dos domicílios brasileiros, em 2007 a proporção comparável foi de 33%.
População Economicamente Ativa (PEA) é o estudo setorial da economia, uma categoria fundamental para a análise econômica ou para investigação das estruturas econômicas de um país. Denomina o conjunto da população em idade produtiva (10 a 65 anos) e que trabalha em atividades remuneradas, tanto as pessoas ocupadas (com trabalho) como as desocupadas (sem trabalho, mas que tomam alguma providência efetiva no sentido de procurar trabalho).
População não economicamente ativa designa o conjunto das pessoas que não trabalham fora do lar, como crianças, estudantes, donas de casa, aposentados, pessoas impossibilitadas de trabalhar por motivo de doença etc., incluindo as que não estão empenhadas na busca de emprego.
Os setores econômicos ou setores de produção são divididos em três setores:
- setor primário: inclui a agricultura, a pecuária, a caça, a pesca e as explorações florestais;
- setor secundário: abrange a atividade industrial, incluindo as indústrias de transformação de bens de consumo e de produção e a de construção civil, e a extração mineral;
- setor terciário: agrupa as atividades relacionadas à prestação de serviços (bancos, transporte, saúde, educação, profissões liberais, funcionalismo público etc.) e ao comércio.
A importância de estudar a distribuição da PEA de um país, segundo suas atividades econômicas ou setores de produção, entre outras razões, possibilita fornecer elementos ou um quadro de referência para a avaliação da economia do país e de suas tendências, além de proporcionar uma visão sobre suas transformações no decorrer do tempo, o que é relevante para efeito de planejamento econômico e social.
Observe o gráfico “Brasil: distribuição da PEA por setores de produção” na página 24 do caderno do aluno:
- o declínio da PEA no setor primário: de 70,2% em 1940 (quando o Brasil era um país predominantemente rural) para 20,6% em 2005. Entre outros fatores explicativos desse declínio e do aumento da população economicamente ativa nos setores secundário e terciário estão a industrialização, a urbanização, a permanência de uma estrutura fundiária concentrada, o difícil acesso à terra, a mecanização e a modernização da agricultura, entre outros. A diminuição relativa da força de trabalho empregada na agropecuária processou-se vigorosamente, acelerando-se nas décadas de 1960 e 1970. Tal processo liberou trabalhadores para a economia urbana, fornecendo mão de obra barata em grande escala, porém pouco qualificada, para construção civil, indústria, comércio e serviços. Em uma visão mais ampla desse processo, o modelo econômico do país estava apoiado no rebaixamento dos salários e na maximização dos lucros, respaldado pela massa de migrantes rurais gerada no setor primário;
- a partir de 1980 verificou-se uma queda do percentual de pessoas empregadas no setor secundário de produção, por racionalização do trabalho (incluída a automação industrial), levando à dispensa de mão de obra. Se no período de maior crescimento industrial do final da década de 1970 até 1980, as atividades manufatureiras e da construção civil absorviam de forma mais significativa a mão de obra liberada pelas atividades rurais (como apontado anteriormente), em toda a década de 1980 o aumento de trabalhadores no setor de serviços esteve consideravelmente acima do verificado no setor manufatureiro. Em outras palavras, a partir do período indicado, a produção de riquezas pela economia industrial cresceu em ritmo mais acelerado do que a geração de empregos, o que determinou um crescimento restringido da mão de obra ligada às indústrias. Esse cenário não foi revertido na década de 1990 e nos anos 2000, período no qual a modernização do parque industrial, associada ao impacto da globalização sobre a economia nacional, condicionou uma significativa redução da população empregada no setor secundário. A globalização e a abertura do mercado nacional às exportações estrangeiras provocaram o aumento da concorrência interna, com a presença de produtos mais baratos e/ou de melhor qualidade. Alguns setores industriais foram obrigados a se modernizar enquanto outros sucumbiram à concorrência, provocando a diminuição dos postos de trabalho e a migração de trabalhadores para o setor terciário;
- em relação ao setor terciário, percebam que, em 1990, ele já absorvia mais da metade da mão de obra brasileira: de um lado, o aumento de pessoal em ocupações mais modernas, como as derivadas da introdução de novas tecnologias, responsáveis pelo surgimento de novas profissões e de novas formas de gerenciamento e administração como setores de franchising, turismo, call centers etc.; por outro lado, houve também um crescimento em serviços menos especializados em relação à exigência de conhecimentos tecnológicos e com menor relação capital/trabalho. Para alguns economistas, as mudanças ocorridas após a introdução de meios informacionais na produção e de novas formas de administração causaram uma subdivisão no interior do próprio terciário, fazendo surgir um terciário superior e outro, inferior. Os serviços e o comércio do terciário superior representam a absorção da mão de obra em setores ligados às novas tecnologias e formas modernas de administração do comércio e dos serviços, como setor de franchising; telefonia celular; serviços de suporte à informática; call centers; serviços de entrega em domicílio, serviços especializados, turismo etc.
A reestruturação industrial causou demissões significativas em setores industriais tradicionais, o que fez crescer a economia informal de baixa renda em atividades representadas pelo comércio ambulante; vigilância; serviços de jardinagem; "flanelinhas"; valetes (estacionamentos em eventos) etc. Em função dessas alterações no perfil do setor terciário, ele absorveu trabalhadores a taxas anuais superiores às observadas nos demais setores, o que significa que os postos de trabalho gerados se revestiram de baixa remuneração e qualidade.
A transferência da PEA da indústria para o setor terciário consiste em um fenômeno mais evidente nas metrópoles, onde se concentravam as aglomerações industriais tradicionais. De modo geral, vem ocorrendo um intenso processo de terciarização das atividades no mundo "subdesenvolvido", inclusive nas metrópoles e cidades médias brasileiras. Esse fato deve ser entendido não como resultado da industrialização, e sim de problemas existentes em suas economias. Não havendo empregos suficientes, ocorre uma hipertrofia do setor terciário, ou seja, o setor cresce desmedidamente, gerando uma economia informal no terciário inferior, representado por atividades de baixa remuneração, tais como vendedor ambulante, camelô, guardador de carro, vendedor nos semáforos etc. Esses são exemplos típicos da situação de desemprego e subemprego.
Matrizes culturais do Brasil
A constituição étnica da população brasileira é formada por três principais grupos: o indígena, o branco e o negro africano. Esse capítulo irá elucidar conceitos fundamentais relacionados ao conteúdo, como miscigenação, raça e etnia, preconceito e discriminação.
Alguns registros culturais podem despertar “a diversidade étnica da população brasileira”. Observe a figura “Monumento às nações indígenas” na página 3 do caderno do aluno: essa obra é uma das mais expressivas obras do artista plástico Siron Franco. Criado em 1992 e construído em Aparecida de Goiânia (GO), quando visto do alto mostra a silhueta do mapa do Brasil. São 500 totens quadrangulares ou triangulares com imagens da iconografia indígena em baixo-relevo em suas faces laterais, além de esculturas de objetos, utensílios ou rituais sagrados dos diferentes povos indígenas, todos reproduzidos minuciosamente em concreto a partir de peças datadas de época pré-cabralina (antes de Pedro Álvares Cabral). Os índios contribuíram muito para a formação da cultura brasileira: culinária, instrumentos musicais, nomes de lugares, a presença de palavras indígenas no português falado no Brasil são alguns exemplos.
Agora, veja, na página 4, a pintura “Navio de emigrantes”, do artista moderno Lasar Segall (1981-1957). Somos multiculturais por formação: os imigrantes contribuíram muito na formação da população brasileira ao lado de outros grupos e culturas, como portugueses, indígenas e africanos. Inúmeras levas de estrangeiros chegaram ao país, principalmente ao longo do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. A emigração envolve o drama dos envolvidos, que abandonaram seu país de origem, a interrogação sobre a terra futura e a nostalgia da terra passada. No quadro, o olhar do pintor está situado na ponte de comando do navio, projetando-o sobre a proa, conferindo destaque para as famílias de emigrantes. Embora, ao que tudo indica, o instante escolhido pelo artista é o da tristeza do desterro, o navio parece erguer-se, maior e mais forte que os obstáculos naturais (o mar) em direção a seu porto de destino. Além desses aspectos, nota-se o valor atribuído pelo artista aos seres anônimos que, egressos de diferentes países, contribuíram para a formação e a diversidade étnica do Brasil contemporâneo.
No século XX, mais um grupo étnico veio participar da formação da população brasileira: o asiático, representado, principalmente, pelos japoneses, chineses e coreanos.
Etnia corresponde a um agrupamento humano cuja unidade repousa na comunhão de língua, cultura e de consciência grupal. Podem existir, em uma etnia, traços físicos comuns, entretanto não são eles que a definem, e sim o sentimento de pertencer ao agrupamento ou à comunidade. O termo raça, por sua vez, largamente utilizado no passado, é hoje considerado impróprio, pois a ciência já constatou que, no sentido biológico, não existe raça humana.
Durante muito tempo utilizou-se a miscigenação da nossa população, isto é, o cruzamento entre grupos étnicos, para se afirmar que no Brasil sempre existiu uma “democracia racial”. No entanto, essa visão é hoje considerada um mito, pois obscurece a realidade do preconceito e da discriminação ainda presentes na sociedade brasileira. No passado, tal mito disfarçava o preconceito de cor em relação ao indígena, ao negro e aos mestiços e, também, o preconceito social determinado pela renda e pelo status social. Serviu de forma admirável à classe dominante para mascarar as opressivas relações étnicas e sociais no Brasil.
Os gráficos “População brasileira segundo a cor”, na página 7 do caderno do aluno, apresentam os recenseamentos da população brasileira elaborados desde 1950: com exceção do realizado em 1970, sempre fizeram o levantamento da população segundo a cor dos indivíduos. No entanto, esses dados merecem uma análise mais crítica, entre outras razões, em virtude:
- de ser autodeclarados (declaração em que o declarante declara algo sobre si mesmo), uma vez que o IBGE solicita que cada indivíduo se reconheça em um dos poucos parâmetros relativos a cor previstos no instrumento da pesquisa;
- de esses parâmetros serem imprecisos – como, por exemplo, a noção de pardo, que abrange descendentes tanto de africanos quanto de indígenas, e a noção de amarelo, que engloba indivíduos indígenas, japoneses, coreanos, chineses e seus descendentes. Esse problema, embora não resolvido, foi minorado no censo de 2000 realizado pelo IBGE, conforme atesta o gráfico relativo ao ano de 2001, no qual se nota que os indígenas foram agrupados separadamente dos orientais.
Por último, os dados de 2006 mostram a consolidação de um movimento, sinalizam que mais pessoas em nosso país estão assumindo sua cor de pele, abrindo mão, assim, de uma ideologia de fundo racista que as fazia desvalorizar sua cor. Nos últimos anos, o fortalecimento do movimento negro e a transformação positiva da imagem pública das pessoas desse grupo em nossa sociedade vêm crescendo.
Alguns registros culturais podem despertar “a diversidade étnica da população brasileira”. Observe a figura “Monumento às nações indígenas” na página 3 do caderno do aluno: essa obra é uma das mais expressivas obras do artista plástico Siron Franco. Criado em 1992 e construído em Aparecida de Goiânia (GO), quando visto do alto mostra a silhueta do mapa do Brasil. São 500 totens quadrangulares ou triangulares com imagens da iconografia indígena em baixo-relevo em suas faces laterais, além de esculturas de objetos, utensílios ou rituais sagrados dos diferentes povos indígenas, todos reproduzidos minuciosamente em concreto a partir de peças datadas de época pré-cabralina (antes de Pedro Álvares Cabral). Os índios contribuíram muito para a formação da cultura brasileira: culinária, instrumentos musicais, nomes de lugares, a presença de palavras indígenas no português falado no Brasil são alguns exemplos.
Agora, veja, na página 4, a pintura “Navio de emigrantes”, do artista moderno Lasar Segall (1981-1957). Somos multiculturais por formação: os imigrantes contribuíram muito na formação da população brasileira ao lado de outros grupos e culturas, como portugueses, indígenas e africanos. Inúmeras levas de estrangeiros chegaram ao país, principalmente ao longo do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. A emigração envolve o drama dos envolvidos, que abandonaram seu país de origem, a interrogação sobre a terra futura e a nostalgia da terra passada. No quadro, o olhar do pintor está situado na ponte de comando do navio, projetando-o sobre a proa, conferindo destaque para as famílias de emigrantes. Embora, ao que tudo indica, o instante escolhido pelo artista é o da tristeza do desterro, o navio parece erguer-se, maior e mais forte que os obstáculos naturais (o mar) em direção a seu porto de destino. Além desses aspectos, nota-se o valor atribuído pelo artista aos seres anônimos que, egressos de diferentes países, contribuíram para a formação e a diversidade étnica do Brasil contemporâneo.
No século XX, mais um grupo étnico veio participar da formação da população brasileira: o asiático, representado, principalmente, pelos japoneses, chineses e coreanos.
Etnia corresponde a um agrupamento humano cuja unidade repousa na comunhão de língua, cultura e de consciência grupal. Podem existir, em uma etnia, traços físicos comuns, entretanto não são eles que a definem, e sim o sentimento de pertencer ao agrupamento ou à comunidade. O termo raça, por sua vez, largamente utilizado no passado, é hoje considerado impróprio, pois a ciência já constatou que, no sentido biológico, não existe raça humana.
Durante muito tempo utilizou-se a miscigenação da nossa população, isto é, o cruzamento entre grupos étnicos, para se afirmar que no Brasil sempre existiu uma “democracia racial”. No entanto, essa visão é hoje considerada um mito, pois obscurece a realidade do preconceito e da discriminação ainda presentes na sociedade brasileira. No passado, tal mito disfarçava o preconceito de cor em relação ao indígena, ao negro e aos mestiços e, também, o preconceito social determinado pela renda e pelo status social. Serviu de forma admirável à classe dominante para mascarar as opressivas relações étnicas e sociais no Brasil.
Os gráficos “População brasileira segundo a cor”, na página 7 do caderno do aluno, apresentam os recenseamentos da população brasileira elaborados desde 1950: com exceção do realizado em 1970, sempre fizeram o levantamento da população segundo a cor dos indivíduos. No entanto, esses dados merecem uma análise mais crítica, entre outras razões, em virtude:
- de ser autodeclarados (declaração em que o declarante declara algo sobre si mesmo), uma vez que o IBGE solicita que cada indivíduo se reconheça em um dos poucos parâmetros relativos a cor previstos no instrumento da pesquisa;
- de esses parâmetros serem imprecisos – como, por exemplo, a noção de pardo, que abrange descendentes tanto de africanos quanto de indígenas, e a noção de amarelo, que engloba indivíduos indígenas, japoneses, coreanos, chineses e seus descendentes. Esse problema, embora não resolvido, foi minorado no censo de 2000 realizado pelo IBGE, conforme atesta o gráfico relativo ao ano de 2001, no qual se nota que os indígenas foram agrupados separadamente dos orientais.
Por último, os dados de 2006 mostram a consolidação de um movimento, sinalizam que mais pessoas em nosso país estão assumindo sua cor de pele, abrindo mão, assim, de uma ideologia de fundo racista que as fazia desvalorizar sua cor. Nos últimos anos, o fortalecimento do movimento negro e a transformação positiva da imagem pública das pessoas desse grupo em nossa sociedade vêm crescendo.
A dinâmica demográfica
Nesse capítulo serão enfatizados os conceitos de natalidade, mortalidade, crescimento natural ou vegetativo e os principais fatores que interferem na variação desses índices, buscando discutir a dinâmica demográfica brasileira segundo sua evolução no tempo e sua situação atual. A evolução demográfica do Brasil é subdividida em dois grandes períodos e, a partir da noção de transição demográfica, iremos comparar com a verificada em outros países. Além da queda acentuada nas taxas de mortalidade e de fecundidade a partir da acelerada urbanização, vamos verificar outros fatores responsáveis pela variação das taxas de natalidade no Brasil. Algumas notícias e opiniões veiculadas pela mídia tratam questões relacionadas ao processo demográfico brasileiro de modo equivocado, difundindo preconceitos e desinformação. O que vocês pensam em relação ao futuro familiar que os aguarda? Que tipo de família que pretendem ter e quais os métodos contraceptivos que vocês conhecem?
Coletar e estudar dados populacionais colaboram com os governos a desenvolver projetos de gestão pública adequados às reais necessidades da população e atua como uma forma de planejar o nosso próprio futuro. O crescimento populacional decorre de duas variáveis: o saldo entre o número de imigrantes (pessoas que entram no país) e o número de emigrantes (pessoas que deixa o país) e o saldo entre o número de nascimentos e o número de óbitos. Esta última variável constitui o crescimento natural ou vegetativo. No caso do Brasil, este último processo é de grande importância, pois a imigração só teve influência significativa no crescimento populacional no final do século XIX até 1934, quando foi promulgada a Lei de Cotas, que restringiu drasticamente a entrada de imigrantes no país.
A taxa de mortalidade expressa a proporção entre o número de óbitos e a população absoluta de um lugar, em determinado intervalo de tempo. A taxa de natalidade expressa a proporção entre o número de nascimentos e a população absoluta de um lugar, em determinado intervalo de tempo.
Observando no gráfico “Crescimento populacional brasileiro entre 1872 e 2000 e projeções para 2010 e 2020”, na página 13 do caderno do aluno, podemos analisar dois grandes períodos da dinâmica geográfica brasileira:
- o período da aceleração demográfica, que aconteceu entre 1940 a 1960: taxas de natalidade elevadas, enquanto as taxas de mortalidade começaram a declinar de forma significativa, em razão do maior acesso à rede médico-hospitalar, dos avanços da medicina e das vacinações em massa, gerando, em conseqüência, grande crescimento vegetativo ou natural da população brasileira. A partir do ano de 1960, iniciou-se um declínio do crescimento populacional brasileiro mostrado através das quedas percentuais de 35,1%, em 1960, para 15,6%, em 2000 (de acordo com projeções do IBGE para 2010 e 2020, o declínio do crescimento populacional brasileiro deverá continuar). As principais causas da queda do crescimento populacional são a revolução da tecnologia bioquímica, o aumento do número de pessoas com acesso à rede médico-hospitalar, às vacinações em massa e à melhoria das condições sanitárias, que contribuíram de forma significativa para a queda acentuada das taxas de mortalidade.
- o segundo período, o da desaceleração demográfica e transição em curso, aconteceu a partir de 1970 até os dias atuais: houve reduções consideráveis das taxas de natalidade, seguidas de pequena diminuição das taxas de mortalidade, o que refletiu na diminuição do crescimento natural da população brasileira. Algumas transformações ocorridas no Brasil explicam a queda das taxas de natalidade, tais como a crescente urbanização, o aumento da taxa de escolarização, a entrada da mulher no mercado de trabalho e a popularização da pílula anticoncepcional e de outros métodos contraceptivos. O conjunto desses fatores favoreceu a redução do número de filhos, muitas vezes traduzida pelo planejamento familiar.
A taxa de fecundidade consiste no número médio de filhos que as mulheres têm no decorrer de suas vidas, em determinada população. Para obter essa taxa. divide-se o total dos nascimentos pelo número de mulheres em idade reprodutiva (de 15 a 49 anos) da população considerada.
O gráfico “Brasil: taxa de fecundidade por anos de estudo das mulheres”, na página 16 do caderno do aluno, indica que as taxas de fecundidade diminuem sensivelmente conforme aumentam os anos de estudo das mulheres. As diferentes taxas de fecundidade entre as grandes regiões brasileiras são explicadas pelas diferenças regionais de desenvolvimento econômico, o que implica maior nível educacional da população e a significativa presença da mulher no mercado de trabalho, entre outros fatores. Mulheres com baixo grau de instrução apresentam as maiores taxas de fecundidade.
Com o auxílio do gráfico “Brasil: redução da taxa de fecundidade”, na mesma página, verificamos a queda da taxa de fecundidade no Brasil começou na década de 1970. Naquela década, a média de filhos por mulher era 5,8 (quase 6 filhos), em 2006 caiu para 2 filhos por mulher e em 2007 esse índice baixou para 1,95 filho por mulher. Segundo o IBGE, uma taxa de fecundidade inferior a 2,0 filhos por mulher não garante a reposição da população atual, demonstrando uma tendência de que o número de habitantes poderá diminuir em números absolutos. A redução do número médio de filhos por mulher vem caindo em todo o mundo. Particularmente no Brasil, iniciou-se com as mulheres das classes média e alta dos centros urbanos do Sul e do Sudeste - que apresentavam maior taxa de escolarização e tinham mais acesso as informações – e, pouco a pouco, atingiu as demais classes sociais e regiões (estendendo-se, atualmente, pelas áreas rurais). Entre as regiões brasileiras, em 2005 a Norte tinha o maior índice de fecundidade (2,5 filhos por mulher), e a Sudeste, o menor (1,9 filho por mulher).
Como existe uma estreita relação entre desenvolvimento econômico e taxa de fecundidade, pelas razões apontadas anteriormente, nos países "desenvolvidos" ou industrializados, de modo geral, as taxas de fecundidade são baixas quando comparadas às dos países "subdesenvolvidos" (a taxa de fecundidade dos países "desenvolvidos” situa-se em torno de 1,0).
O gráfico de transição demográfica, no canto inferior esquerdo do mapa “Mundo: estágios de transição demográfica”, na página 31 do caderno do aluno, expressa como o comportamento das taxas de natalidade e de mortalidade de uma população, no decorrer de um período mudam. Essa noção se refere à transição entre duas situações de crescimento demográfico relativamente reduzido. O período pré-transicional é conhecido como regime demográfico tradicional, e é definido por apresentar uma alta taxa de mortalidade e por uma taxa de natalidade também elevada. Em seguida, observe que na Fase I da transição demográfica ocorre a redução das taxas de mortalidade (linha lilás) e registra-se um elevado crescimento vegetativo (natalidade, a linha verde) da população. A Fase II, por sua vez, caracteriza-se pela redução das taxas de natalidade e, por último, na Fase III, período pós-transicional, conhecido como regime demográfico moderno, definido por baixas taxas de mortalidade e de natalidade e, conseqüentemente, do crescimento vegetativo.
O Brasil, segundo estudos do IBGE, encontra-se na fase de transição demográfica em curso (Fase II), caminhando para a de transição demográfica avançada, que se caracteriza pela diminuição acentuada das taxas de natalidade e de fecundidade e, conseqüentemente, pelo crescimento populacional moderado. Segundo estimativas, nos próximos anos a taxa de natalidade deverá ser inferior a 20, e a de fecundidade deverá declinar ainda mais.
Na página 20 do caderno do aluno, observamos quatro pirâmides etárias do conjunto de países emergentes, conhecidos pela sigla BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China (“BRIC: composição da população residente, por sexo, segundo os grupos de idade”). Estes países, considerados economias emergentes, apresentam estruturas etárias bem diferenciadas, tornando-se, portanto, um excelente material de análise acerca de como devem ser lidos e interpretados os gráficos correspondentes às pirâmides etárias. A análise da pirâmide etária oferece diversas informações sobre a população de um país, como a quantidade de habitantes por faixa etária, a proporção por sexo e a porcentagem de pessoas em idade produtiva (ou seja, as que se encontram entre 10 e 65 anos) no total da população. Para interpretar uma pirâmide etária, devemos observar os seguintes critérios:
- no eixo das abscissas (horizontal), registra-se a proporção de habitantes em cada faixa etária; no eixo das ordenadas (vertical), as faixas de idade;
- os dados da base ao topo correspondem à quantidade de população em cada faixa etária de acordo com o gênero (à esquerda, população do sexo masculino; à direita, do sexo feminino);
- observamos diferenças entre a quantidade de população masculina e de população feminina em cada faixa etária correspondente;
- quando a diferença entre a parcela intermediária - entre 15 e 60 anos, que corresponde à idade produtiva - e a base da pirâmide for acentuada, o país terá um descompasso entre a população em idade produtiva e os que deverão ser sustentados (crianças e idosos);
- o vértice (ponta) em relação ao resto da pirâmide: ele (vértice) apresenta a quantidade de população de idosos em relação ao resto da pirâmide;
As mudanças na dinâmica demográfica brasileira influem diretamente nas políticas públicas de planejamento e de atendimento social. Ao comparar a pirâmide brasileira com as outras, verificamos que as pirâmides da Rússia e da China mostram uma estrutura etária mais envelhecida, enquanto a estrutura da Índia é jovem. A pirâmide russa apresenta maior quantidade de mulheres do que de homens, principalmente nas faixas acima dos 65 anos, em virtude dos vários conflitos internos e das guerras pelos quais o país passou em sua história, o que afetou diretamente o contingente masculino. Quanto à pirâmide brasileira, as quedas dos níveis de fecundidade e mortalidade nos últimos 40 anos evidenciam que o país está passando por uma fase de transição, fazendo com que o desenho de sua pirâmide etária apresente mudanças ao longo do tempo, passando de uma estrutura jovem nas décadas de 1960, 1970 e 1980, para uma bem menos jovem projetada para o período 2005-2010.
A placa tectônica sul-americana e o modelado do relevo brasileiro
Os conhecimentos sobre o relevo terrestre vêm assistindo a reinterpretações à luz de novas explicações teóricas que ganharam terreno nas últimas décadas do séculoXX. No caso específico do relevo brasileiro não é diferente. Novas lógicas que ajudam a compreender seu dinamismo estão presentes não somente no mundo da ciência, mas também aparecem trabalhadas na Geografia escolar. Além da atualização dos conhecimentos, as novas interpretações sobre o relevo brasileiro e sua dinâmica obrigam a uma mudança de postura: perde sentido aquele tipo de saber sustentado na memorização e avança um conhecimento analítico do processo, que contribui para que construirmos recursos de observação e análise dos fenômenos naturais. Isso nos qualifica a refletir sobre as relações entre os diversos elementos da natureza, assim como sobre as relações do ser humano (das sociedades) com a natureza.
No capítulo “Natureza e riscos ambientais”, no 3º. bimestre, trabalhamos com asestruturas e formas do planeta Terra, as diferentes funções dos agentes internos e externos na formação das condições superficiais do planeta, o conjunto de explicações sobre a dinâmica da litosfera de modo genérico, tendo em vista o planeta como um todo. É importante resgatar agora o essencial, para tratar do caso brasileiro.
Vamos explorar um acontecimento que ficou marcado na nossa memória: no dia 22 de abril de 2008, às 21h27, a cidade de São Paulo foi atingida por um tremor de 5.2° na escala Richter. Um tremor também é conhecido como terremoto. Vocês ouviram falar dele ou o sentiram? No Brasil há terremotos? Alguém se lembra de algum tremor ocorrido em nosso território? Já houve vítimas fatais de terremotos no Brasil?
No Brasil podem ocorrer terremotos leves. O terremoto de 22 de abril de 2008 teve como epicentro um ponto no Oceano Atlântico, a cerca de 215 km de São Vicente, na Baixada Santista, Estado de São Paulo. O epicentro é a área onde o terremoto atinge intensidade máxima (a parte interna da litosfera em que se origina um terremoto é chamada de hipocentro, e a parte externa da litosfera que recebe a energia máxima originada no hipocentro é justamente o epicentro).
Em 14 de novembro de 2007, outro tremor foi sentido em várias áreas da cidade de São Paulo, a ponto de alguns edifícios terem sido evacuados. O tremor foi reflexo de um terremoto ocorrido no Chile poucos minutos antes.
Em 9 de dezembro de 2007, no município de Itacarambi (MG), foi registrado um tremor de 4,9° na escala Richter e houve, inclusive, uma morte. Há, também, vários registros de terremotos em Sobral (CE) e em João Câmara (RN). Todos esses abalos sísmicos têm algo em comum: seus epicentros estão no próprio local de ocorrência.
Já ocorreram terremotos no mundo que marcaram a vida de alguns povos e que jamais serão esquecidos. Por exemplo: o terremoto de Lisboa, em 1755, foi uma das maiores tragédias da época e marcou definitivamente a vida daquela cidade - praticamente destruiu a cidade e matou 70 mil pessoas; o terremoto recente que atingiu a China, em 12 de maio de 2008 (província de Sichuan), cujo número de mortos superou os 70 mil, além dos milhares de desaparecidos. E por que não há registro na memória da população brasileira dos terremotos que ocorreram em nosso território?
Porque a intensidade dos terremotos e as perdas humanas e materiais não foram grandes.
Observando a tabela “Entenda os efeitos dos terremotos”, na página 3 do caderno do aluno, temos instrumentos suficientes para compreender por que os terremotos no território brasileiro não deixam marcas em nossa memória: porque eles praticamente não deixam marca nos espaços humanos, visto que o maior deles alcançou 6,6° na escala Richter e ocorreu em uma região pouco habitada na época, não ocasionando danos graves. Já os terremotos de Lisboa e da província de Sichuan atingiram 9,0° e 7,9°, respectivamente.
A força letal de um terremoto não está apenas associada à intensidade do seu epicentro. No caso do tremor ocorrido na província de Sichuan, além da intensidade do terremoto, as características daquele espaço humano pesou no número de vítimas: alta densidade demográfica, precariedade das construções, condições difíceis de acesso para o socorro das vítimas etc.
A lógica dos tremores pode ser apreendida tendo em conta a localização dos epicentros e a intensidade dos terremotos. E isso não vai permitir apenas a explicação dos terremotos, mas também a lógica da formação das estruturas do relevo brasileiro, assunto principal deste capítulo.
A dinâmica da crosta terrestre e a lógica dos tremores
Esta etapa pode ser iniciada pela discussão dos terremotos. Vamos ler o texto "A instabilidade da crosta terrestre", apresentado na página 5 do caderno do aluno, observando o “Mapa das placas tectônicas” na página 7.
No terremoto que aconteceu em novembro de 2007, o epicentro do terremoto em foi no Chile e pode-se notar que esse ponto se encontra na área de contato da placa Sul-americana com a placa de Nazca; já o que aconteceu em dezembro de 2007, em Itacarambi (MG), o epicentro foi no próprio local, e notamos que se deu quase no meio da placa Sul-americana. O epicentro do terremoto que aconteceu em abril de 2008, em São Paulo , foi a 215 km da costa brasileira, no Oceano Atlântico. Assim, temos: um terremoto em área de contato de placa e dois terremotos no interior da placa Sul-americana, em pontos afastados de suas bordas.
"Tremor" tem o mesmo significado de terremoto ou abalo sísmico. O que treme, em um terremoto, é a placa tectônica. Na verdade, partes dela, que por vezes são bem pequenas. Os tremores são produzidos pela atividade interna do planeta, quando a energia resultante dos esforços das placas para se movimentar é liberada repentinamente. Observe o quadro “Placas tectônicas e terremotos”, na página 11 do caderno do aluno.
Para ajudar a organizar o pensamento, uma questão pode ser colocada:
Como as placas se movimentam, podem acontecer três situações nas áreas de contato. Quais são elas?
1. as placas se encontrarem e se chocarem (movimento convergente);
2. as placas se afastarem (divergente);
3. as placas não se encontrarem nem se afastarem, logo não provocam destruição, porque fazem movimentos paralelos (transcorrente e/ou conservativo).
Encontrando ou se afastando, a atividade interna da Terra chega mais facilmente à superfície nas áreas de contato de placas do que nos seus centros, em virtude da descontinuidade existente. O que pode ser acrescentado agora à análise dos epicentros dos três terremotos que estão sendo utilizados como exemplos? Que há um terremoto nas áreas de encontro de placas e dois terremotos intraplacas, em pontos em que há falhas ou fragilidades na placa. Nesse último caso, vale lembrar que a ocorrência de tremores pode ser facilitada ou dificultada pela espessura da placa. As regiões em que ela é mais fina são as mais sensíveis. É ali que ela pode se romper mais facilmente, diante das pressões do interior da Terra.
O que interessa deixar claro são os diferentes exemplos de terremotos apresentados. Por exemplo: os tremores nas áreas de destruição de placas (áreas de choque) tendem a ser mais fortes, mais frequentes, logo, causam mais dano. Mas será que o movimento das placas e a presença de falhas e fissuras só servem para explicar os eventos sísmicos (terremotos e vulcanismo)? Ou terão também importância no momento em que a questão abordada é o relevo?
Uma biografia ("abiografia") da placa Sul-americana e suas repercussões no relevo brasileiro
As placas tectônicas são segmentos da crosta terrestre ou litosfera. A litosfera, em conjunção com a hidrosfera e a atmosfera, formam os domínios naturais. Podemos nos referir aos domínios naturais como o mundo inorgânico ou o meio abiótico (sem vida). Por outro lado, quando no meio inorgânico a vida floresce, constitui-se o meio biótico. É importante lembrar que uma placa tectônica é um elemento do mundo abiótico. Ela não tem vida. Não tem vida, mas tem dinamismo, se transforma, tem uma trajetória, pois se movimenta no magma e no tempo. Tem uma biografia? Não, pois biografiasomente os seres vivos têm. Por isso, só podemos traçar uma "abiografia" da placa tectônica Sul-americana.
Como e quanto a dinâmica da placa Sul-americana interferiu na estruturação do relevo atual do território brasileiro?
Há aproximadamente 225 milhões de anos, a Pangeia começou a se fragmentar e, há cerca de 135 milhões de anos, um grande bloco no sul do planeta (Gondwana), que já havia se desprendido da Pangeia, começou a se romper. No seu interior iniciou-se a abertura do Oceano Atlântico, separando o que viriam a ser os continentes da América do Sul e da África. Trata-se da placa Sul-americana, antes colada à placa Africana, que começou a se deslocar para o oeste. O quadro “Placa Sul-americana: movimentos tectônicos” procura sintetizar essa dinâmica.
Alguns pontos auxiliam na compreensão da relação entre a dinâmica da placa Sul-americana e o relevo brasileiro.
Quando iniciou a separação das placas Africana e Sul-americana (200-135 milhões de anos atrás), a velocidade da movimentação, em direção ao oeste, era de 1,2 cm ao ano e a costa leste da América do Sul ficou sendo área de borda de placa; logo, suscetível aos efeitos das atividades internas, abaixo da crosta terrestre. Algumas alterações no relevo da costa leste do Brasil podem ter começado nesse processo.
Na divergência entre as placas Africana e Sul-americana, houve intrusão de material magmático, que foi se solidificando e, na medida em que as placas se afastavam, formava-se o fundo do Oceano Atlântico, com parte vinculada à placa Sul-americana e parte à Africana. As placas aumentaram, com o acréscimo de assoalho oceânico e/ou crosta oceânica, criando uma nova extensão de 4 100 km .
Ao mesmo tempo, movimentando-se em direção ao oeste, a placa Sul-americana se encontrou com a placa de Nazca, que, por ser mais densa, entrou por baixo da placa Sul-americana, soerguendo (levantando) sua borda e dando origem à Cordilheira dos Andes. Nesse processo de mergulho, a placa de Nazca está submergindo, onde se funde com o magma.
Há interpretações que buscam explicar que, quando a Cordilheira dos Andes se originou (há cerca de 60 milhões de anos), com a elevação da borda oeste da placa Sul-americana, teria havido uma repercussão em todo o conjunto da placa. Trata-se de uma repercussão desigual, visto que algumas áreas de rochas menos resistentes foram mais levantadas que outras, constituídas por rochas mais resistentes. Foi nesse momento - essa é a hipótese - que teriam ocorrido os movimentos que deram origem às escarpas das Serras do Mar e da Mantiqueira. No entanto, pesquisas têm mostrado indícios de que o relevo da costa leste do Brasil não teria uma relação tão imediata com o soerguimento dos Andes.
A dinâmica (ou "abiografia") da placa Sul-americana deixou quais heranças na atual configuração do relevo brasileiro?
No relevo da América do Sul, deixou a portentosa Cordilheira dos Andes, em sua borda oeste, e, no território brasileiro, deixou alterações gerais que variaram segundo a condição da geologia dos terrenos. Um fato notável para a região Sudeste, especificamente para o Estado de São Paulo, são as falhas geológicas expressas nas escarpas da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar. As alterações são difíceis de ser demonstradas, e mais difícil ainda é distingui-las das formas de relevo anteriores a esse momento de orogenia (processo de formação de montanhas, que se dá a partir de vários fenômenos geológicos) na borda oeste da placa. Após esses eventos, nenhum tectonismo importante atingiu a placa Sul-americana; logo, o território brasileiro e suas formas de relevo atuais têm no processo erosivo a sua principal força dinâmica.
A resposta anterior expressa um campo com algumas incertezas sobre o desencadeamento das repercussões no relevo brasileiro em razão dos movimentos tectônicos da placa Sul-americana, mas seguramente o relevo brasileiro contém heranças do movimento dessa placa. Entretanto, algo ainda precisa ser acrescentado:
Toda a movimentação da placa e os abalos sofridos que repercutiram no relevo se deram sobre a superfície anterior da placa, antes de sua separação de Gondwana, que constituía a placa, e, mais diretamente para nosso interesse, o território brasileiro. Esse material estrutural pode resistir mais ou menos aos movimentos, por isso é preciso conhecer essa estrutura geológica.
O Oceano Atlântico tem 200 milhões de anos e, por consequência, o assoalho oceânico, resultado de uma parte nova da placa Sul-americana e da placa Africana.
Os terrenos vêm da Pangeia e têm bilhões de anos. Sabe-se isso por meio da datação de rochas encontradas em velhas cadeias montanhosas, hoje muito erodidas. Logo, a placa Sul-americana tem um segmento continental muito antigo e um segmento oceânico novíssimo.
As idades da crosta oceânica e da crosta continental são bastante contrastantes e indicam um fator-chave da estrutura geológica: o tempo de formação. Esse tempo interfere na constituição interna da estrutura. No interior do próprio continente sul-americano, há terrenos com idades bem diferentes, o que também acontece se reduzirmos a observação ao Brasil. O mapa “Brasil: grandes estruturas” é uma representação qualitativa e distingue grandes extensões de terrenos estruturais do Brasil. A distinção é feita por cores. E por isso se distingue rapidamente estruturas diversas de terrenos em termos geológicos.
O quadro “Simplificação operacional da legenda do mapa Brasil: grandes estruturas”, na página 16 do caderno do aluno simplifica as informações cartográficas. O mapa traz informações detalhadas, mas o quadro traz uma classificação mais compacta para auxiliar no seu raciocínio.
Abaixo, o quadro explica três termos que aparece no quadro anterior: áreas cratônicas, dobramentos antigos e bacias sedimentares.
14. As formas de relevo brasileiro e as funções das classificações
As formas do relevo brasileiro expressam tempos da natureza muito distintos. Podemos observar que eventos de bilhões de anos atrás combinados com outros bem mais recentes deixaram suas marcas. Descrever as grandes formas de relevo brasileiro não é tarefa simples em função da enorme escala territorial de nosso país. No entanto, para enxergar a organização do relevo é preciso também organizar o olhar. Essa é a função das diversas classificações do relevo brasileiro. Elas organizam nosso olhar, cada uma a seu modo. E cada uma delas nos dá acesso a realidades distintas.
As formas de relevo devem ser compreendidas na sua dinâmica, e o mesmo acontece com as classificações. Elas se alteram mais que as próprias formas de relevo. O relevo muda, porém bem mais lentamente que o conhecimento humano. Além de discutir as forças que atuam na constituição do relevo brasileiro, vamos refletir sobre as próprias formas de classificação e como, por meio de teorias que reúnem forças estruturantes, formas e medidas, constroem-se olhares produtivos sobre essa dimensão da natureza, que é o modelado da crosta terrestre, mais especificamente, o modelado brasileiro.
O relevo não é produto apenas dos movimentos tectônicos, mas de outra força que atua na superfície terrestre: a erosão.
Alguns termos se referem às formas da superfície terrestre: relevo, modelado, Geomorfologia, topografia. Certamente, a palavra modelado tem maior correspondência com a linguagem corrente. A superfície terrestre é modelada por irregularidades. Por exemplo: a Cordilheira dos Andes, que é um soerguimento da placa Sul-americana, é uma irregularidade que compõe o modelado da Terra.
- Relevo: forma da Terra, modelado, que resulta da interação das forças internas (tectônica) e das forças externas (erosão no sentido amplo);
- Modelado: considerado um sinônimo informal de relevo, é a forma da Terra ou então a "epiderme" da Terra;
- Geomorfologia: trata-se de uma das áreas que compõe a Geografia Física, ao lado da Climatologia, Hidrografia e Biogeografia. Seu objeto de estudo é justamente o relevo, tanto dos blocos continentais quanto do fundo oceânico. Seus objetivos são medir, descrever as formas e explicar as origens e a evolução do relevo;
- Topografia: conjunto de saberes técnicos que contribuem para apreender o espaço segundo a localização e a medida dos objetos geográficos visíveis (aqui se encontram as estruturas do relevo e, também, os rios, os objetos construídos pelo ser humano etc.).
Se entre as funções da Geomorfologia está a de medir o relevo, os conhecimentos de Topografia serão necessários.
Classificações das macroestruturas: modos de apreender e de ver
Ao trabalhar a dinâmica da placa Sul-americana, parte dos estudos sobre o relevo brasileiro estava sendo realizada. Essa parte diz respeito aos processos que ocorrem na estrutura da crosta terrestre, revelados pela teoria da tectônica de placas. Mesmo em se tratando de origem e evolução das formas de relevo, esses estudos são parciais, porque outro agente igualmente poderoso na definição das formas da superfície terrestre precisa ser considerado: a erosão.
O que entendemos, quando falamos sobre construção e destruição?
- No encontro das placas tectônicas Sul-americana e de Nazca, fala-se emdestruição da borda da placa, mas também se pode falar em construção de relevo, mais propriamente da Cordilheira dos Andes;
- Na área de divergência das placas Sul-americana e Africana, há afloramento de magma para a superfície, que, ao se solidificar, tem efeito construtivo: faz crescer as duas placas, ampliando a crosta oceânica, e origina cadeias montanhosas no fundo do Oceano Atlântico, como a Dorsal Mesoatlântica. Neste caso, constrói-se placa e constrói-se relevo submarino;
- Na superfície terrestre, a erosão é uma força destrutiva de relevo, podendo, ao longo de milhões ou bilhões de anos, arrasar integralmente uma cadeia montanhosa. Mas, se estivermos pensando apenas nas formas de relevo, a erosão pode ser considerada uma escultora, que vai desenhando formas, mas uma escultora insatisfeita, que vai esculpindo até nada mais sobrar. Porém, ao mesmo tempo em que destrói, a erosão constrói outros relevos, e é a causa da deposição de sedimentos em áreas mais baixas, dando origem a planícies, por exemplo.
Considerando a escala planetária, nos últimos 60 milhões de anos (vide escala geológica do tempo) não têm ocorrido eventos tectônicos que construam relevo, mas têm ocorrido, de forma incessante, processos que destroem relevo, que, na verdade, vão lhe dando formas. Trata-se da erosão, cujos agentes principais são as águas, as geleiras e os ventos. A erosão remove, desgasta, transporta os resíduos e deposita-os em outras localidades mais baixas.
Considerando as origens e a evolução (dinâmica) das formas de relevo, vale reconstituir as forças trabalhadas: o tectonismo e a erosão. Ambas são responsáveis tanto pelas formas como pela altura do relevo ao longo do território brasileiro.
O tectonismo, a erosão, as formas e a altura são palavras-chave, fundamentais e suficientes para se entender e ver o relevo brasileiro. De modo geral, qualquer forma de descrever e classificar o relevo brasileiro vai combinar e fundir esses quatro elementos:
tectonismo ↔ erosão ↔ forma ↔ altura (altitude)
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Como é possível ver o relevo em uma extensão e em uma escala tal como a do território do Brasil? Não é fácil, dadas as dimensões eTAM
bém a variedade do que nossos olhos verão. Não se vê o relevo de um território sem algum treino, sem alguma preparação. Ao olhar o relevo sem preparação, seremos como míopes; na verdade, precisamos de critérios e de organização, que vão funcionar como óculos especiais para vermos o relevo brasileiro.
Um primeiro passo será ter sob controle as grandes formas de relevo, ou as macroformas do relevo: planalto, planície, cadeias montanhosas e depressões.
Em nosso território, não temos cadeias montanhosas recentes e nem altas, pois foram quase integralmente erodidas (aqui existem apenas testemunhos de dobramentos antigos na estrutura geológica). Apenas as outras três macroformas estão presentes no território brasileiro: planícies, planaltos e depressões.
O mapa “Brasil: formas de relevo”, nas páginas 22 e 23 do caderno do aluno, traz uma proposição de classificação do relevo na escala do território nacional.
Trata-se de uma representação qualitativa, que procura diferenciar os elementos representados fazendo uso do recurso de cores distintas. Talvez o mapa não tenha resolvido bem como diferenciar os compartimentos, que na verdade são apenas três, com subdivisões. A questão é que as subdivisões ficaram com o mesmo peso visual que as três compartimentações fundamentais (planícies, planaltos e depressões). Outro problema: os tons de marrom imprimem em nossos olhos uma ordenação de um mesmo fenômeno, que não é o caso aqui. Pode ser que isso fosse mais bem resolvido se a diferenciação dos compartimentos fosse feita com três cores, e as subdivisões estivessem assinaladas com números, tal como acabou sendo utilizado. O mapa tem de mostrar os três compartimentos, a nitidez e a posição que eles têm de ter na hierarquia visual, e não podem confundir visualmente sob o peso das subdivisões.
Há uma evidente associação das formas de relevo à estrutura geológica subjacente (embaixo de outro). Os critérios que esse autor utiliza levam em conta os processos constituintes (erosão, deposição e tipo de estrutura), e ele procurou deixar isso ressaltado no mapa.
O importante é ver a distribuição das formas de relevo do Brasil e compreender a lógica que explica a existência das macroformas associadas a vários fatores naturais que atuam no interior e na superfície terrestre.
O território brasileiro não possui grandes altitudes e não tem eventos tectônicos recentes; é muito trabalhado pela erosão e tem quase 99% de sua extensão formada por terrenos com menos de 1 200 m de altitude: 41% têm de 0 a 200 m e 58,5% chegam a até 1 200 m .
Outras classificações de relevo são possíveis, e só dependem dos critérios empregados, e dos elementos considerados e reunidos. Além disso, as formas de relevo podem ser trabalhadas em combinação com outros elementos da paisagem, tais como as formações vegetais e as condições climáticas. Esse é o caso de uma classificação muito conhecida proposta pelo geógrafo Aziz Ab’Saber denominada Domínios Morfoclimáticos, que podemos observar no mapa “Brasil: domínios morfoclimáticos”, na página 25 do caderno do aluno. Esse mapa trata-se também de uma representação qualitativa que diferencia compartimentos.
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