quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O trabalho e o mercado de trabalho

            Abordaremos nesse tema, os conceitos fundamentais para o entendimento da distribuição da População Economicamente Ativa (PEA) do Brasil segundo os setores de produção (primário, secundário e terciário), ressaltando suas transformações ao longo do processo de urbanização do país.
Quais os papéis desempenhados pelas mulheres na sociedade brasileira? Vocês consideram que, as mulheres donas de casa, não trabalham? É cada vez maior o número de brasileiras que também trabalha fora de casa, aumen­tando o orçamento familiar ou sendo elas mesmas chefes de suas famílias. Muitas mulheres enfrentam duas jor­nadas de trabalho, uma fora de casa, e ou­tra quando retornam ao lar e se dedicam aos afazeres domésticos. De acordo com o IBGE, ao longo da últi­ma década observa-se a manutenção da ten­dência de aumento na proporção de famílias chefiadas por mulheres, que passou de 24,9% (1997) a 33,0% (2007), o que representa, de acordo com os dados da Pesquisa nacional por amostra de domicílios - Pnad 2007, 19,5 mi­lhões de famílias que identificam uma mulher como sua principal responsável.
Os gráficos “Brasil: contribuição do rendimento das mulheres na renda das famílias” e “Brasil: número de famílias formadas por casas com filhos chefiadas por mulheres” na página 23 do caderno do aluno revelam o aumento de domicílios chefiados por mulheres, o que as torna protagonistas nos últimos anos de uma grande mudança em curso no mercado de trabalho brasileiro. Veja alguns dados adicionais do IBGE, extraídos da Pnad 2007:
- a proporção de arranjos do tipo casal com e sem filhos chefiados por mulher passou de 4,2 % em 1992 para 23,5% em 2007;
- aumentou muito a contribuição das mu­lheres na renda das famílias brasileiras: de 1992 para 2007 passou de 30,1% para 39,8%;
- ocorreu um aumento expressivo da pro­porção de mulheres cônjuges que contri­buem para a renda das suas famílias: de 32,5% para 65,7% no mesmo período;
- e, para finalizar, se em 1993 a mulher era a principal provedora em 22,3% dos domicí­lios brasileiros, em 2007 a proporção com­parável foi de 33%.
            População Economicamente Ativa (PEA) é o estudo setorial da economia, uma categoria fundamental para a análise econômica ou para investigação das estru­turas econômicas de um país. Denomina o conjunto da população em idade pro­dutiva (10 a 65 anos) e que trabalha em atividades remuneradas, tanto as pessoas ocupadas (com trabalho) como as deso­cupadas (sem trabalho, mas que tomam alguma providência efetiva no sentido de procurar trabalho).
População não economicamente ativa designa o conjunto das pessoas que não trabalham fora do lar, como crianças, estudantes, donas de casa, aposentados, pessoas impossibilitadas de trabalhar por motivo de doença etc., in­cluindo as que não estão empenhadas na busca de emprego.
Os setores econômicos ou setores de produção são divididos em três setores:
- setor primário: inclui a agricultura, a pecuária, a caça, a pesca e as explorações florestais;
- setor secundário: abrange a atividade industrial, incluindo as indústrias de transformação de bens de consumo e de produção e a de construção civil, e a extração mineral;
- setor terciário: agrupa as atividades relacionadas à presta­ção de serviços (bancos, transporte, saúde, educação, profissões liberais, funcionalis­mo público etc.) e ao comércio.
A importância de estudar a distribuição da PEA de um país, segundo suas atividades econômicas ou setores de produção, entre outras razões, possibilita fornecer elementos ou um quadro de referên­cia para a avaliação da economia do país e de suas tendências, além de proporcionar uma visão sobre suas transformações no decorrer do tempo, o que é relevante para efeito de planejamento econômico e social.
Observe o gráfico “Brasil: distribuição da PEA por setores de produção” na página 24 do caderno do aluno:
- o declínio da PEA no setor primário: de 70,2% em 1940 (quando o Brasil era um país predominantemente rural) para 20,6% em 2005. Entre outros fatores explicativos desse declínio e do aumento da população economicamente ativa nos setores secundário e terciário estão a industrialização, a urbanização, a permanência de uma estrutura fundiária concentrada, o difícil acesso à terra, a mecanização e a modernização da agricultura, entre outros. A diminuição relativa da força de trabalho empregada na agropecuária processou-se vigorosamente, acelerando-se nas décadas de 1960 e 1970. Tal processo liberou trabalhadores para a economia urbana, fornecendo mão de obra barata em grande escala,  porém pouco quali­ficada, para construção civil, indústria, comércio e serviços. Em uma visão mais ampla desse processo, o modelo econômico do país estava apoiado no rebaixamento dos salários e na maximização dos lucros, respaldado pela massa de migrantes rurais gerada no setor primário;
- a partir de 1980 verificou-se uma queda do percentual de pessoas empregadas no setor secundário de produção, por racio­nalização do trabalho (incluída a auto­mação industrial), levando à dispensa de mão de obra. Se no período de maior crescimento industrial do final da década de 1970 até 1980, as atividades manufatureiras e da construção civil absorviam de forma mais significativa a mão de obra liberada pelas atividades rurais (como apontado anteriormente), em toda a dé­cada de 1980 o aumento de trabalhadores no setor de serviços esteve consideravelmente acima do verificado no setor manufatureiro. Em outras palavras, a partir do período indicado, a produção de ri­quezas pela economia industrial cresceu em ritmo mais acelerado do que a gera­ção de empregos, o que determinou um crescimento restringido da mão de obra ligada às indústrias. Esse cenário não foi revertido na década de 1990 e nos anos 2000, período no qual a modernização do parque industrial, associada ao impacto da globalização sobre a economia nacional, condicionou uma significativa redução da população empregada no se­tor secundário. A globaliza­ção e a abertura do mercado nacional às exportações estrangeiras provocaram o aumento da concorrência interna, com a presença de produtos mais baratos e/ou de melhor qualidade. Alguns setores indus­triais foram obrigados a se modernizar enquanto outros sucumbiram à concor­rência, provocando a diminuição dos postos de trabalho e a migração de tra­balhadores para o setor terciário;
- em relação ao setor terciário, percebam que, em 1990, ele já absorvia mais da metade da mão de obra brasileira: de um lado, o aumento de pessoal em ocupações mais modernas, como as derivadas da introdução de novas tecnologias, responsáveis pelo surgimento de novas profissões e de novas formas de gerenciamento e administração como setores de franchising, turismo, call centers etc.; por outro lado, houve também um crescimento em serviços me­nos especializados em relação à exigência de conhecimentos tecnológicos e com menor relação capital/trabalho. Para alguns econo­mistas, as mudanças ocorridas após a intro­dução de meios informacionais na produção e de novas formas de administração causaram uma subdivisão no interior do próprio terciário, fazendo surgir um terciário su­perior e outro, inferior. Os serviços e o comércio do terciário superior represen­tam a absorção da mão de obra em setores ligados às novas tecnologias e formas modernas de administração do comércio e dos serviços, como setor de franchising; telefonia celular; serviços de suporte à in­formática; call centers; serviços de entre­ga em domicílio, serviços especializados, turismo etc.
            A reestruturação industrial causou demis­sões significativas em setores industriais tradicionais, o que fez crescer a economia informal de baixa renda em atividades representadas pelo comércio ambulante; vigilância; serviços de jardinagem; "flanelinhas"; valetes (estacionamentos em eventos) etc. Em função dessas alterações no perfil do setor terciário, ele absorveu trabalhadores a taxas anuais superiores às observadas nos demais setores, o que significa que os postos de trabalho gerados se revestiram de baixa remuneração e qualidade.
A transferência da PEA da indústria para o setor terciário consiste em um fenômeno mais evidente nas metrópoles, onde se concentravam as aglomerações industriais tradicionais. De modo geral, vem ocorrendo um inten­so processo de terciarização das atividades no  mundo  "subdesenvolvido",  inclusive nas metrópoles e cidades médias brasilei­ras. Esse fato deve ser entendido não como resultado da industrialização, e sim de pro­blemas existentes em suas economias. Não havendo empregos suficientes, ocorre uma hipertrofia do setor terciário, ou seja, o se­tor cresce desmedidamente, gerando uma economia informal no terciário inferior, re­presentado por atividades de baixa remuneração, tais como vendedor ambulante, camelô, guardador de carro, vendedor nos semáforos etc. Esses são exemplos típicos da situação de desemprego e subemprego.

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