quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A placa tectônica sul-americana e o modelado do relevo brasileiro



Os conhecimentos sobre o relevo terres­tre vêm assistindo a reinterpretações à luz de novas explicações teóricas que ganharam terreno nas últimas décadas do séculoXX. No caso específico do relevo brasileiro não é diferente. Novas lógicas que ajudam a com­preender seu dinamismo estão presentes não somente no mundo da ciência, mas também aparecem trabalhadas na Geografia escolar. Além da atualização dos conhecimentos, as novas interpretações sobre o relevo brasileiro e sua dinâmica obrigam a uma mudança de postura: per­de sentido aquele tipo de saber sustentado na memorização e avança um conhecimento analítico do processo, que contribui para que construirmos recursos de observação e análise dos fenômenos naturais. Isso nos quali­fica a refletir sobre as relações entre os diver­sos elementos da natureza, assim como sobre as relações do ser humano (das sociedades) com a natureza.
No capítulo “Natureza e riscos ambientais”, no 3º. bimestre, trabalhamos com asestruturas e formas do planeta Terra, as diferentes funções dos agentes internos e ex­ternos na formação das condições superficiais do planeta, o conjunto de explicações sobre a dinâmica da litosfera de modo genérico, tendo em vista o planeta como um todo. É impor­tante resgatar agora o essencial, para tratar do caso brasileiro.
Vamos explorar um aconteci­mento que ficou marcado na nossa memória: no dia 22 de abril de 2008, às 21h27, a cidade de São Paulo foi atingida por um tremor de 5.2° na esca­la Richter. Um tremor também é conhecido como terremoto. Vocês ouviram falar dele ou o sentiram? No Brasil há terremotos? Alguém se lembra de algum tremor ocorrido em nosso território? Já houve vítimas fatais de terremotos no Brasil?
No Brasil podem ocorrer terremotos leves. O terremoto de 22 de abril de 2008 teve como epicentro um ponto no Oceano Atlântico, a cerca de 215 km de São Vi­cente, na Baixada Santista, Estado de São Paulo. O epicentro é a área onde o terre­moto atinge intensidade máxima (a par­te interna da litosfera em que se origina um terremoto é chamada de hipocentro, e a parte externa da litosfera que recebe a energia máxima originada no hipocentro é justamente o epicentro).
Em 14 de novembro de 2007, outro tre­mor foi sentido em várias áreas da cidade de São Paulo, a ponto de alguns edifícios terem sido evacuados. O tremor foi reflexo de um terremoto ocorrido no Chile poucos minutos antes.
Em 9 de dezembro de 2007, no município de Itacarambi (MG), foi registrado um tremor de 4,9° na escala Richter e houve, inclusive, uma morte. Há, também, vários registros de terremotos em Sobral (CE) e em João Câmara (RN). Todos esses abalos sísmicos têm algo em comum: seus epicen­tros estão no próprio local de ocorrência.
Já ocorreram terremotos no mundo que marcaram a vida de alguns povos e que jamais serão esquecidos. Por exemplo: o terremoto de Lisboa, em 1755, foi uma das maiores tragédias da época e marcou defi­nitivamente a vida daquela cidade - prati­camente destruiu a cidade e matou 70 mil pessoas; o terremoto recente que atingiu a China, em 12 de maio de 2008 (província de Sichuan), cujo número de mortos superou os 70 mil, além dos milhares de desapare­cidos. E por que não há registro na memória da população brasileira dos terremotos que ocorreram em nosso território?
Porque a intensidade dos terremotos e as perdas huma­nas e materiais não foram grandes.
Observando a tabela “Entenda os efeitos dos terremotos”, na página 3 do caderno do aluno, temos instrumentos suficientes para compreender por que os terremotos no território brasileiro não deixam marcas em nossa memória: porque eles pratica­mente não deixam marca nos espaços humanos, visto que o maior deles alcançou 6,6° na escala Richter e ocorreu em uma região pouco habitada na época, não ocasionando danos graves. Já os terremotos de Lisboa e da província de Sichuan atingiram 9,0° e 7,9°, respectivamente.
A força letal de um terremoto não está ape­nas associada à intensidade do seu epicentro. No caso do tremor ocorrido na província de Sichuan, além da intensidade do terremoto, as característi­cas daquele espaço humano pesou no número de vítimas: alta densidade demográfica, precariedade das construções, condições difíceis de acesso para o socorro das vítimas etc.
A lógica dos tremores pode ser apreendida tendo em conta a localização dos epicentros e a intensidade dos terremotos. E isso não vai permitir apenas a explicação dos terremotos, mas também a lógica da formação das estruturas do relevo brasileiro, assunto principal deste capítulo.

A dinâmica da crosta terrestre e a lógica dos tremores
Esta etapa pode ser iniciada pela discussão dos terremotos. Vamos ler o texto "A instabilidade da crosta terrestre", apresentado na página 5 do caderno do aluno, observando o “Mapa das placas tectônicas” na página 7.
No terremoto que aconteceu em novembro de 2007, o epicentro do terremoto em foi no Chile e pode-se notar que esse ponto se encontra na área de contato da placa Sul-americana com a placa de Nazca; já o que aconteceu em dezembro de 2007, em Ita­carambi (MG), o epicentro foi no próprio local, e notamos que se deu quase no meio da placa Sul-ameri­cana. O epicentro do terremoto que aconteceu em abril de 2008, em São Paulo, foi a 215 km da costa brasi­leira, no Oceano Atlântico. Assim, temos: um terremoto em área de contato de placa e dois terremotos no interior da placa Sul-americana, em pontos afastados de suas bordas.
"Tremor" tem o mesmo significado de terremoto ou abalo sísmico. O que treme, em um terremoto, é a placa tectônica. Na verdade, partes dela, que por vezes são bem pequenas. Os tremores são produzidos pela atividade interna do planeta, quando a ener­gia resultante dos esforços das placas para se movimentar é liberada repentinamente. Observe o quadro “Placas tectônicas e terremotos”, na página 11 do caderno do aluno.
Para ajudar a organizar o pensamento, uma questão pode ser colocada:
Como as placas se movimentam, podem acon­tecer três situações nas áreas de contato. Quais são elas?
1.   as placas se encontrarem e se chocarem (movimento convergente);
2.   as placas se afastarem (divergente);
3.   as placas não se encontrarem nem se afastarem, logo não provocam destrui­ção, porque fazem movimentos paralelos (transcorrente e/ou conservativo).
Encontrando ou se afastando, a atividade interna da Terra che­ga mais facilmente à superfície nas áreas de contato de placas do que nos seus centros, em virtude da descontinuidade existente. O que pode ser acrescentado agora à análise dos epicentros dos três terremotos que estão sendo utilizados como exemplos? Que há um terremoto nas áreas de encontro de placas e dois terremotos intraplacas, em pontos em que há falhas ou fragi­lidades na placa. Nesse último caso, vale lembrar que a ocorrência de tremores pode ser facilitada ou dificultada pela espessura da placa. As regiões em que ela é mais fina são as mais sensíveis. É ali que ela pode se romper mais facilmente, diante das pressões do interior da Terra.
O que interessa deixar claro são os diferen­tes exemplos de terremotos apresentados. Por exemplo: os tremores nas áreas de destruição de placas (áreas de choque) tendem a ser mais for­tes, mais frequentes, logo, causam mais dano. Mas será que o movimento das placas e a presen­ça de falhas e fissuras só servem para explicar os eventos sísmicos (terremotos e vulcanismo)? Ou terão também importância no momento em que a questão abordada é o relevo?

Uma biografia ("abiografia") da placa Sul-americana e suas repercussões no relevo brasileiro
As placas tectônicas são segmentos da crosta terrestre ou litosfera. A litosfera, em conjunção com a hidrosfera e a atmosfera, formam os domí­nios naturais. Podemos nos referir aos domínios naturais como o mundo inorgânico ou o meio abiótico (sem vida). Por outro lado, quando no meio inorgânico a vida floresce, constitui-se o meio biótico. É importante lembrar que uma placa tectônica é um elemento do mundo abió­tico. Ela não tem vida. Não tem vida, mas tem dinamismo, se transforma, tem uma trajetória, pois se movimenta no magma e no tempo. Tem uma biografia? Não, pois biografiasomente os seres vivos têm. Por isso, só podemos traçar uma "abiografia" da placa tectônica Sul-americana.
Como e quanto a dinâmica da placa Sul-ameri­cana interferiu na estruturação do relevo atual do território brasileiro?
Há aproximadamente 225 milhões de anos, a Pangeia começou a se fragmentar e, há cer­ca de 135 milhões de anos, um grande bloco no sul do planeta (Gondwana), que já havia se desprendido da Pangeia, começou a se rom­per. No seu interior iniciou-se a abertura do Oceano Atlântico, separando o que viriam a ser os continentes da América do Sul e da África. Trata-se da placa Sul-americana, an­tes colada à placa Africana, que começou a se deslocar para o oeste. O quadro “Placa Sul-americana: movimentos tectônicos” procura sintetizar essa dinâmica.


Alguns pontos auxiliam na compreensão da rela­ção entre a dinâmica da placa Sul-americana e o relevo brasileiro.
Quando iniciou a separação das placas Afri­cana e Sul-americana (200-135 milhões de anos atrás),  a velocidade da movimentação, em direção ao oeste, era de 1,2 cm ao ano e a costa leste da América do Sul ficou sendo área de borda de placa; logo, suscetível aos efeitos das atividades in­ternas, abaixo da crosta terrestre. Algumas alterações no relevo da costa leste do Brasil podem ter começado nesse processo.
Na divergência entre as placas Africana e Sul-americana, houve intrusão de mate­rial magmático, que foi se solidificando e, na medida em que as placas se afastavam, formava-se o fundo do Oceano Atlântico, com parte vinculada à placa Sul-americana e parte à Africana. As placas aumentaram, com o acréscimo de assoalho oceânico e/ou crosta oceânica, criando uma nova exten­são de 4 100 km.
Ao mesmo tempo, movimentando-se em direção ao oeste, a placa Sul-americana se encontrou com a placa de Nazca, que, por ser mais densa, entrou por baixo da pla­ca Sul-americana, soerguendo (levantando) sua borda e dando origem à Cordilheira dos Andes. Nesse processo de mergulho, a placa de Nazca está submergindo, onde se funde com o magma.
Há interpretações que buscam explicar que, quando a Cordilheira dos Andes se originou (há cerca de 60 milhões de anos), com a elevação da borda oeste da placa Sul-americana, teria havido uma repercus­são em todo o conjunto da placa. Trata-se de uma repercussão desigual, visto que al­gumas áreas de rochas menos resistentes foram mais levantadas que outras, cons­tituídas por rochas mais resistentes. Foi nesse momento - essa é a hipótese - que teriam ocorrido os movimentos que de­ram origem às escarpas das Serras do Mar e da Mantiqueira. No en­tanto, pesquisas têm mostrado indícios de que o relevo da costa leste do Brasil não teria uma relação tão imediata com o soerguimento dos Andes.
A dinâmica (ou "abiografia") da placa Sul-americana deixou quais heranças na atual configuração do relevo brasileiro?
No relevo da América do Sul, deixou a por­tentosa Cordilheira dos Andes, em sua bor­da oeste, e, no território brasileiro, deixou alterações gerais que variaram segundo a condição da geologia dos terrenos. Um fato notável para a região Sudeste, especifica­mente para o Estado de São Paulo, são as falhas geológicas expressas nas escarpas da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar. As alterações são difíceis de ser demonstra­das, e mais difícil ainda é distingui-las das formas de relevo anteriores a esse momento de orogenia (processo de formação de montanhas, que se dá a partir de vários fenômenos geológicos) na borda oeste da placa. Após esses eventos, nenhum tectonismo impor­tante atingiu a placa Sul-americana; logo, o território brasileiro e suas formas de re­levo atuais têm no processo erosivo a sua principal força dinâmica.
A resposta anterior ex­pressa um campo com algumas incertezas sobre o desencadeamento das repercussões no relevo brasileiro em razão dos movimen­tos tectônicos da placa Sul-americana, mas seguramente o relevo brasileiro contém heranças do movimento dessa placa. Entre­tanto, algo ainda precisa ser acrescentado:
Toda a movimentação da placa e os abalos sofridos que repercutiram no relevo se deram sobre a superfície anterior da placa, antes de sua separação de Gondwana, que constituía a placa, e, mais diretamente para nosso interesse, o território brasileiro. Esse material estrutural pode resistir mais ou menos aos movimentos, por isso é preciso conhecer essa estrutura geológica.
O Oceano Atlântico tem 200 milhões de anos e, por consequência, o assoalho oceânico, resultado de uma parte nova da placa Sul-americana e da placa Africana.
Os terrenos vêm da Pangeia e têm bilhões de anos. Sabe-se isso por meio da datação de rochas encontradas em velhas cadeias montanhosas, hoje muito erodidas. Logo, a placa Sul-americana tem um segmento continen­tal muito antigo e um segmento oceânico novíssimo.
As idades da crosta oceânica e da cros­ta continental são bastante contrastantes e indicam um fator-chave da estrutura geoló­gica: o tempo de formação. Esse tempo in­terfere na constituição interna da estrutura. No interior do próprio continente sul-americano, há terrenos com idades bem diferen­tes, o que também acontece se reduzirmos a observação ao Brasil. O mapa “Brasil: grandes estruturas” é uma representação qualitativa e distingue grandes extensões de terrenos estruturais do Brasil. A distin­ção é feita por cores. E por isso se distingue rapidamente estruturas diversas de terrenos em termos geológicos.
O quadro “Simplificação operacional da legenda do mapa Brasil: grandes estruturas”, na página 16 do caderno do aluno simplifica as infor­mações cartográficas. O mapa traz informações detalhadas, mas o quadro traz uma classificação mais compacta para auxiliar no seu raciocínio.
Abaixo, o quadro explica três termos que aparece no quadro anterior: áreas cratônicas, dobramentos antigos e bacias sedimentares.



14. As formas de relevo brasileiro e as funções das classificações

As formas do relevo brasileiro expressam tempos da natureza muito distintos. Podemos observar que eventos de bilhões de anos atrás combinados com outros bem mais recentes deixaram suas marcas. Descrever as grandes formas de relevo brasileiro não é tarefa simples em função da enorme escala territorial de nosso país. No entanto, para enxergar a organização do relevo é preciso também organizar o olhar. Essa é a função das diversas classificações do relevo brasileiro. Elas organizam nosso olhar, cada uma a seu modo. E cada uma delas nos dá acesso a realidades distintas.
As formas de rele­vo devem ser compreendidas na sua dinâmi­ca, e o mesmo acontece com as classificações. Elas se alteram mais que as próprias formas de relevo. O relevo muda, porém bem mais lentamente que o conhecimento humano. Além de discutir as forças que atuam na constituição do relevo brasileiro, vamos refletir sobre as próprias formas de classificação e como, por meio de teorias que reúnem forças estruturantes, formas e medidas, constroem-se olhares produtivos sobre essa dimensão da natureza, que é o modelado da crosta terrestre, mais especificamente, o mo­delado brasileiro.
O relevo não é produto apenas dos movimen­tos tectônicos, mas de outra força que atua na superfície terrestre: a erosão.
Alguns termos se referem às formas da superfí­cie terrestre: relevo, modelado, Geomorfologia, topografia. Certamente, a palavra modelado tem maior correspondência com a linguagem corrente. A superfície terrestre é modelada por irregularidades. Por exemplo: a Cordilheira dos Andes, que é um soerguimento da placa Sul-americana, é uma irregularidade que compõe o modelado da Terra.
- Relevo: forma da Terra, modelado, que re­sulta da interação das forças internas (tectônica) e das forças externas (erosão no sentido amplo);
- Modelado: considerado um sinônimo infor­mal de relevo, é a forma da Terra ou então a "epiderme" da Terra;
- Geomorfologia: trata-se de uma das áreas que compõe a Geografia Física, ao lado da Climatologia, Hidrografia e Biogeografia. Seu objeto de estudo é justamente o relevo, tanto dos blocos continentais quanto do fundo oceânico. Seus objetivos são medir, descrever as formas e explicar as origens e a evolução do relevo;
- Topografia: conjunto de saberes técnicos que contribuem para apreender o espaço se­gundo a localização e a medida dos objetos geográficos visíveis (aqui se encontram as es­truturas do relevo e, também, os rios, os objetos construídos pelo ser humano etc.).
Se entre as funções da Geomorfologia está a de medir o relevo, os conhecimentos de Topografia serão necessários.

Classificações das macroestruturas: modos de apreender e de ver
Ao trabalhar a dinâmica da placa Sul-ame­ricana, parte dos estudos sobre o relevo bra­sileiro estava sendo realizada. Essa parte diz respeito aos processos que ocorrem na estru­tura da crosta terrestre, revelados pela teoria da tectônica de placas. Mesmo em se tratando de origem e evolução das formas de relevo, esses estudos são parciais, porque outro agente igualmente poderoso na definição das formas da superfície terrestre precisa ser considerado: a erosão.
O que entendemos, quando falamos sobre construção e destruição?
- No encontro das placas tectônicas Sul-americana e de Nazca, fala-se emdestruição da borda da placa, mas também se pode falar em construção de relevo, mais propriamen­te da Cordilheira dos Andes;
Na área de divergência das placas Sul-americana e Africana, há afloramento de mag­ma para a superfície, que, ao se solidificar, tem efeito construtivo: faz crescer as duas placas, ampliando a crosta oceânica, e origina cadeias montanhosas no fundo do Oceano Atlântico, como a Dorsal Mesoatlântica. Neste caso, constrói-se placa e constrói-se relevo submarino;
- Na superfície terrestre, a erosão é uma força destrutiva de relevo, podendo, ao longo de milhões ou bilhões de anos, arrasar inte­gralmente uma cadeia montanhosa. Mas, se estivermos pensando apenas nas formas de relevo, a erosão pode ser considerada uma escultora, que vai desenhando formas, mas uma escultora insatisfeita, que vai esculpin­do até nada mais sobrar. Porém, ao mesmo tempo em que destrói, a erosão constrói outros relevos, e é a causa da deposição de sedimentos em áreas mais baixas, dando origem a planícies, por exemplo.
Considerando a escala planetária, nos úl­timos 60 milhões de anos (vide escala geo­lógica do tempo) não têm ocorrido eventos tectônicos que construam relevo, mas têm ocorrido, de forma incessante, processos que destroem relevo, que, na verdade, vão lhe dan­do formas. Trata-se da erosão, cujos agentes principais são as águas, as geleiras e os ven­tos. A erosão remove, desgasta, transporta os resíduos e deposita-os em outras localidades mais baixas.
Considerando as origens e a evolução (di­nâmica) das formas de relevo, vale reconstituir as forças trabalhadas: o tectonismo e a erosão. Ambas são responsáveis tanto pelas formas como pela altura do relevo ao longo do terri­tório brasileiro.
O tectonismo, a erosão, as formas e a altura são palavras-chave, fundamentais e su­ficientes para se entender e ver o relevo brasilei­ro. De modo geral, qualquer forma de descrever e classificar o relevo brasileiro vai combinar e fundir esses quatro elementos:


tectonismo ↔ erosão ↔ forma ↔ altura (altitude)



Como é possível ver o relevo em uma exten­são e em uma escala tal como a do território do Brasil? Não é fácil, dadas as dimensões eTAM­bém a variedade do que nossos olhos verão. Não se vê o relevo de um território sem algum treino, sem alguma preparação. Ao olhar o re­levo sem preparação, seremos como míopes; na verdade, precisamos de critérios e de orga­nização, que vão funcionar como óculos espe­ciais para vermos o relevo brasileiro.
Um primeiro passo será ter sob controle as grandes formas de relevo, ou as macroformas do relevo: planalto, planície, cadeias montanhosas e depressões. 


Em nosso território, não temos cadeias montanhosas recentes e nem altas, pois foram quase integralmente erodidas (aqui existem apenas testemunhos de dobramentos antigos na estrutura geológica). Apenas as outras três macroformas estão presentes no território brasileiro: planícies, planaltos e depressões.
O mapa “Brasil: formas de relevo”, nas páginas 22 e 23 do caderno do aluno, traz uma proposição de classifica­ção do relevo na escala do território nacional.
Tra­ta-se de uma representação qualitativa, que procura diferenciar os elementos representa­dos fazendo uso do recurso de cores distin­tas. Talvez o mapa não tenha resolvido bem como diferenciar os compartimentos, que na verdade são apenas três, com subdivisões. A questão é que as subdivisões ficaram com o mesmo peso visual que as três compartimentações fundamentais (planícies, planaltos e de­pressões). Outro problema: os tons de marrom imprimem em nossos olhos uma ordenação de um mesmo fenômeno, que não é o caso aqui. Pode ser que isso fosse mais bem resolvido se a diferenciação dos compartimentos fosse fei­ta com três cores, e as subdivisões estivessem assinaladas com números, tal como acabou sendo utilizado. O mapa tem de mostrar os três compartimentos, a nitidez e a po­sição que eles têm de ter na hierarquia visual, e não podem confundir visualmente sob o peso das subdivisões.
Há uma evidente associação das formas de relevo à estrutura geológica subjacente (embaixo de outro). Os critérios que esse autor utiliza levam em conta os processos constituintes (erosão, deposição e tipo de estrutura), e ele procu­rou deixar isso ressaltado no mapa.
O importante é ver a distribuição das for­mas de relevo do Brasil e compreender a lógi­ca que explica a existência das macroformas associadas a vários fatores naturais que atuam no interior e na superfície terrestre.
O território brasileiro não possui grandes altitudes e não tem eventos tectônicos re­centes; é muito trabalhado pela erosão e tem quase 99% de sua extensão formada por terrenos com menos de 200 m de al­titude: 41% têm de 0 a 200 m e 58,5% che­gam a até 200 m.
Outras classificações de relevo são possíveis, e só dependem dos critérios empregados, e dos elementos considerados e reunidos. Além disso, as formas de relevo podem ser trabalhadas em combinação com outros elementos da paisagem, tais como as formações vegetais e as condições climáticas. Esse é o caso de uma classificação muito conhecida proposta pelo geógrafo Aziz Ab’Saber denominada Domínios Morfoclimáticos, que podemos observar no mapa “Brasil: domínios morfoclimáticos”, na página 25 do caderno do aluno. Esse mapa trata-se também de uma representação qua­litativa que diferencia compartimentos.

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